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 Exportações de petróleo por Hormuz enfrentam ataques e custos elevados

Exportações de petróleo por Hormuz enfrentam ataques e custos elevados

As exportações de petróleo pelo Estreito de Hormuz se recuperaram em relação aos níveis observados no início da guerra, mas o avanço continua vulnerável ao aumento dos ataques iranianos contra navios-tanque. O fluxo depende de um grande compromisso militar dos Estados Unidos para proteger embarcações que utilizam uma rota ao sul, próxima à costa de Omã, enquanto transportadores enfrentam riscos elevados, fretes mais caros e custos maiores de seguro. Esse cenário mantém a segurança marítima no centro da capacidade de exportação, mesmo quando os dados mostram períodos de recuperação dos volumes.

Quase 20 navios comerciais, principalmente petroleiros, foram atacados no último mês enquanto navegavam por Hormuz, pelo Golfo Pérsico ou ao largo da costa de Omã, segundo o Joint Maritime Information Center, grupo formado por forças militares aliadas aos Estados Unidos que fornece atualizações de segurança para embarcações mercantes.

Michelle Wiese Bockmann, analista sênior de inteligência marítima da Windward, afirmou que o Irã atacou aproximadamente dois navios para cada 100 embarcações que atravessaram o estreito no terceiro trimestre. A Windward acompanha navios para departamentos de defesa e governos.

Proteção americana sustenta uma rota próxima à costa de Omã

O aumento recente dos fluxos de petróleo por Hormuz ocorre enquanto forças americanas conseguiram estabelecer uma rota marítima ao longo da costa de Omã. Analistas atribuem parte da recuperação justamente à capacidade militar dos Estados Unidos de proteger os petroleiros que utilizam esse trajeto.

A situação de segurança, contudo, permanece perigosa. Por isso, não está claro por quanto tempo as exportações poderão sustentar a recuperação sem um acordo negociado ou uma capitulação de Teerã.

O sistema atual permite que volumes maiores atravessem o estreito, mas não significa que a liberdade de navegação tenha sido restaurada. O Irã continua afirmando que controla Hormuz, enquanto incidentes recentes mostram que navios comerciais ainda podem receber ameaças durante a travessia.

Essa combinação torna a recuperação diferente de uma normalização das operações. Mais petróleo está conseguindo sair do Golfo Pérsico, porém isso acontece com apoio militar significativo e exposição persistente das tripulações a riscos marítimos.

Sistema de transporte reduz exposição, mas exige mais navios

Em muitos casos, petroleiros transportam petróleo bruto através de Hormuz e depois transferem a carga para outros navios no Golfo de Omã. Essas embarcações levam posteriormente o petróleo para a Ásia.

Esse sistema de transporte reduz a exposição dos navios aos ataques do Irã, mas exige mais embarcações para movimentar o mesmo petróleo. As transferências entre navios acrescentam complexidade a uma cadeia logística que já opera em condições de segurança deterioradas.

Bob McNally, presidente da Rapidan Energy e ex-assessor de energia do presidente George W. Bush, afirmou que ninguém em Washington considera financeiramente sustentável a combinação entre compromisso militar americano no Golfo, transferências entre navios e tarifas elevadas de petroleiros.

Segundo McNally, trata-se de uma maneira ineficiente de transportar commodities para fora de Hormuz, não apenas petróleo.

O modelo ajuda a explicar como as exportações conseguiram avançar apesar das ameaças. Ao mesmo tempo, evidencia que a recuperação depende de recursos adicionais e de operações mais complexas do que aquelas necessárias antes da guerra.

Exportações ainda ficam abaixo dos níveis anteriores à guerra

Os embarques de petróleo bruto através de Hormuz variam significativamente de um dia para outro. Dados da Kpler, empresa que acompanha petroleiros e fluxos comerciais globais, mostram que os volumes às vezes igualam ou até superam os níveis anteriores à guerra.

Em outros momentos, entretanto, as exportações permanecem abaixo dos volumes registrados antes do conflito.

Na semana encerrada no sábado, os embarques atingiram média de aproximadamente 10,3 milhões de barris por dia, segundo dados da Kpler publicados na segunda-feira. Esse volume ficou cerca de 23% abaixo da referência pré-guerra de 13,5 milhões de barris diários utilizada pela empresa.

A Windward apresenta uma estimativa semelhante para a direção do mercado, embora utilize outra referência. Segundo a companhia, o petróleo bruto que atravessa Hormuz está registrando média entre 9 milhões e 10 milhões de barris por dia, ante uma base pré-guerra de 14,5 milhões.

Embora os fluxos continuem voláteis, analistas afirmam que houve uma aceleração em comparação com períodos anteriores da guerra, apoiada pela rota protegida ao longo da costa de Omã.

Recuperação cobra preço elevado das tripulações

O aumento dos volumes não eliminou o custo humano das operações. Bockmann destacou que transportadores estão movimentando petróleo por Hormuz com custos elevados tanto para suas tripulações quanto em fretes e seguros.

Desde julho, pelo menos nove marinheiros morreram, 18 ficaram feridos e três estão desaparecidos, segundo a Organização Marítima Internacional, agência das Nações Unidas.

Bockmann afirmou que os volumes estão conseguindo atravessar o estreito, mas em um período de risco marítimo extremamente elevado.

A deterioração da segurança também elevou drasticamente o preço do transporte. O custo para enviar petróleo bruto do Golfo Pérsico à China chegou a US$ 1 milhão por dia para cada petroleiro.

Richard Meade, editor-chefe da publicação marítima Lloyd’s List, afirmou em uma apresentação na quinta-feira passada que os fluxos se recuperaram porque participantes do mercado aceitaram maior complexidade operacional e custos superiores.

Essa aceitação permitiu que mais petróleo atravessasse a região, mas não reduziu a ameaça enfrentada pelos petroleiros.

Brent permanece perto de US$ 100 apesar do aumento dos fluxos

O petróleo Brent, referência internacional, continua sendo negociado perto de US$ 100 por barril mesmo com uma quantidade maior de petróleo conseguindo sair de Hormuz.

Para McNally, a permanência dos preços em níveis elevados mostra como o mercado avalia a sustentabilidade do sistema atual. Ele afirmou que, se os participantes acreditassem que a recuperação fosse sustentável, provavelmente os preços estariam muito mais baixos.

Segundo o presidente da Rapidan Energy, os preços permanecem altos porque ainda é caro entregar, assegurar e desembarcar o petróleo bruto nas regiões consumidoras onde os preços de referência são definidos.

Assim, a recuperação dos volumes não eliminou os custos associados à insegurança marítima. Os navios continuam enfrentando riscos, enquanto fretes e seguros refletem as condições perigosas da região.

A situação mostra uma diferença entre conseguir transportar mais barris e restabelecer um ambiente seguro e eficiente para o comércio. O mercado encontrou formas de manter parte dos fluxos, mas pagando um preço operacional e financeiro muito maior.

Liberdade de navegação ainda não foi restaurada em Hormuz

McNally destacou que o aumento das exportações não significa que a liberdade de navegação tenha retornado ao Estreito de Hormuz.

Teerã continua insistindo que controla o estreito. Um incidente ocorrido na segunda-feira reforçou a permanência desse risco.

A Guarda Revolucionária do Irã abordou um petroleiro que atravessava Hormuz e ordenou que a embarcação mudasse de direção ou enfrentasse um ataque, segundo um relatório de incidente do United Kingdom Maritime Trade Operations Centre.

O navio obedeceu à ordem.

O episódio ocorre em um contexto no qual quase 20 embarcações comerciais foram atacadas no último mês em Hormuz, no Golfo Pérsico ou perto da costa de Omã. A maior parte desses navios era formada por petroleiros.

A estimativa da Windward de aproximadamente dois ataques para cada 100 embarcações que atravessaram o estreito no terceiro trimestre também mostra que a recuperação do fluxo acontece sob uma ameaça que continua ativa.

O sistema protegido pelos Estados Unidos reduziu parte da exposição, mas não removeu a capacidade iraniana de pressionar embarcações comerciais na região.

Recuperação pode depender de solução política para ser sustentável

A questão central para o mercado não é apenas quanto petróleo consegue atravessar Hormuz diariamente, mas por quanto tempo o atual modelo pode continuar funcionando.

O sistema de transporte com transferências no Golfo de Omã exige mais embarcações. A proteção da rota depende de um compromisso militar americano significativo. Fretes e seguros aumentaram, enquanto marinheiros continuam expostos aos ataques.

Os dados de Kpler e Windward mostram uma recuperação em comparação com períodos anteriores da guerra, mas também indicam volumes médios inferiores às respectivas referências pré-guerra.

Ao mesmo tempo, os ataques iranianos continuam e a liberdade de navegação não foi restabelecida.

Sem um acordo negociado ou uma capitulação de Teerã, permanece incerto por quanto tempo a recuperação das exportações poderá ser sustentada.

Essa incerteza ajuda a explicar por que o aumento dos fluxos ainda não produziu uma percepção de normalização no mercado. Os barris estão atravessando Hormuz, mas por meio de um sistema mais caro, complexo e perigoso.

Mercado opera com mais eficiência dentro de uma insegurança persistente

A avaliação de Meade resume a situação criada no Estreito de Hormuz: o mercado de petróleo não está necessariamente se tornando mais seguro. Em vez disso, está aprendendo a operar de maneira mais eficiente sob insegurança prolongada.

Os fluxos maiores refletem a adaptação dos participantes às condições atuais. A rota próxima à costa de Omã, as transferências entre navios e a disposição de aceitar custos superiores permitiram recuperar parte das exportações.

Ainda assim, os riscos permanecem visíveis nos ataques contra embarcações, nas mortes e ferimentos entre marinheiros, no custo de até US$ 1 milhão por dia para transportar petróleo do Golfo Pérsico à China e nos preços do Brent próximos de US$ 100.

A ordem iraniana para que um petroleiro mudasse de direção na segunda-feira também mostra que Teerã continua exercendo pressão sobre a navegação.

O resultado é uma recuperação frágil. Mais petróleo bruto está atravessando Hormuz do que em fases anteriores da guerra, mas os volumes continuam voláteis e, em média, abaixo das referências anteriores ao conflito.

Enquanto ataques continuarem e a navegação depender de proteção militar, operações adicionais e custos elevados, a recuperação permanecerá vulnerável. Como afirmou Meade, o mercado não está ficando mais seguro; está ficando mais eficiente em operar sob uma insegurança sustentada.

 

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