Meta tem melhor mês desde 2013 e se aproxima de valor de US$ 2 trilhões
As ações da Meta Platforms avançaram 36% em setembro, colocando a empresa no caminho para seu melhor desempenho mensal desde julho de 2013 e aproximando seu valor de mercado da marca de US$ 2 trilhões. O movimento ganhou força após o lançamento do Muse, assistente pessoal de inteligência artificial que rapidamente chegou ao topo dos rankings de aplicativos. O desempenho do produto ajudou a reduzir parte das dúvidas sobre os altos gastos da companhia com IA e reacendeu a confiança de investidores que esperavam uma recuperação mais clara das ações.
Rob Biederman, cofundador e sócio-gerente da Asymmetric Capital Partners, afirmou que o Muse valida de forma mais evidente a estratégia de inteligência artificial da Meta. Segundo ele, durante cerca de um ano e meio, as ações permaneceram praticamente estáveis porque o mercado não tinha clareza sobre se a IA seria positiva ou negativa para a companhia. Biederman também considera lógico que agentes de IA se tornem uma porta de entrada importante para a internet, cenário que, em sua avaliação, poderia favorecer a posição da Meta.
Setembro marca uma forte reversão para as ações da Meta
A alta deste mês representa uma mudança expressiva em relação ao comportamento das ações durante grande parte de 2026. Por meses, a Meta enfrentou dúvidas sobre o retorno de seus investimentos em inteligência artificial e riscos jurídicos ligados a processos contra seu negócio de redes sociais. Menos de seis semanas antes da recuperação atual, as ações acumulavam queda de 18% no ano após uma previsão de receita considerada decepcionante no fim de julho.
Esse desempenho havia colocado a Meta entre as 50 piores ações do S&P 500 até 18 de agosto. Desde então, porém, o cenário mudou de forma significativa. A companhia passou a ocupar a posição de terceira melhor ação do índice no período, com valorização de 43% desde aquele ponto.
A recuperação começou depois que a Meta concordou, no fim de agosto, em pagar até US$ 18 bilhões para encerrar um processo relacionado às redes sociais. O acordo removeu um fator de incerteza importante para os investidores. A partir daí, o entusiasmo com os novos produtos de IA passou a exercer papel ainda maior na valorização.
Muse se tornou o principal catalisador recente
O lançamento do Muse é apontado como o fator mais relevante por trás da atual melhora de percepção. O assistente pessoal de IA subiu rapidamente nos rankings de aplicativos e passou a ser visto como um sinal de que os investimentos da Meta podem gerar produtos capazes de atrair usuários e, potencialmente, novas fontes de receita.
O entusiasmo em torno do Muse também afetou empresas de vários outros setores. Investidores passaram a vender ações de companhias consideradas potencialmente vulneráveis à disrupção causada por novos serviços de inteligência artificial. Esse comportamento lembra movimentos observados anteriormente no ano, quando produtos lançados pela startup Anthropic também provocaram preocupações semelhantes em diferentes indústrias.
Meta já anunciou parcerias ligadas aos novos produtos
A companhia também começou a conectar sua estratégia de IA a parceiros externos. A Meta anunciou uma parceria para venda de alimentos com a Maplebear, proprietária da Instacart, além de um acordo com a agência de viagens online Expedia.
Em um evento realizado na quarta-feira, a empresa apresentou outros produtos que receberam avaliações positivas de analistas. Entre eles estavam um pequeno dispositivo, do tamanho da palma da mão, projetado para usar o Muse, além de versões sem câmera de sua linha de óculos inteligentes.
Essas iniciativas reforçam a ideia de que a Meta está tentando ampliar o uso da inteligência artificial para além de seus produtos tradicionais de publicidade. O foco está em integrar IA a diferentes tipos de serviços e dispositivos, criando novas formas de interação com usuários.
JPMorgan vê espaço em produtos além da publicidade
O analista Doug Anmuth, do JPMorgan, elevou sua recomendação para as ações da Meta de neutra para overweight em uma nota de 10 de setembro. Ele escreveu que ainda existe potencial relevante de valorização porque a companhia está apenas nos estágios iniciais do lançamento de modelos avançados e produtos impulsionados por IA além da publicidade.
Esse argumento reflete uma das principais expectativas atuais do mercado. A Meta já possui escala e distribuição significativas, mas os investidores querem entender se os novos produtos de IA podem criar crescimento adicional suficiente para justificar o tamanho dos investimentos necessários.
Gastos com capital devem quase dobrar em 2026
A Meta deve gastar quase US$ 140 bilhões em capital neste ano, aproximadamente o dobro dos cerca de US$ 70 bilhões desembolsados em 2025. As projeções indicam que esse valor pode subir ainda mais nos próximos anos.
Para 2027, os gastos de capital são estimados em US$ 197 bilhões. Em 2028, a previsão chega a US$ 215 bilhões. Esses números mostram a dimensão dos recursos que a Meta está destinando à infraestrutura e ao desenvolvimento necessários para sustentar sua estratégia de inteligência artificial.
Os investimentos elevados aumentam a pressão para que a companhia transforme seus produtos de IA em crescimento financeiro relevante. O mercado está mostrando mais confiança depois do sucesso inicial do Muse, mas a empresa ainda precisa demonstrar que consegue gerar retorno suficiente sobre esse nível de desembolso.
Fluxo de caixa livre sofre com a expansão dos investimentos
O impacto dos gastos já aparece nas projeções de fluxo de caixa livre. Depois de gerar US$ 46 bilhões em fluxo de caixa livre no ano passado, a Meta deve registrar fluxo negativo de US$ 6,4 bilhões em 2026.
Para o próximo ano, a expectativa é ainda mais negativa, com fluxo de caixa livre projetado em menos US$ 29,2 bilhões. A diferença mostra como o aumento dos investimentos está consumindo uma parcela significativa dos recursos gerados pela operação.
Esse cenário torna o crescimento de receita e lucro especialmente importante. Se a empresa continuar ampliando seus gastos em inteligência artificial, precisará mostrar resultados operacionais capazes de sustentar a estratégia e reduzir as preocupações sobre o retorno do capital investido.
Receita e lucro ainda devem crescer fortemente em 2026
Segundo a média das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, a receita da Meta deve crescer 26% em 2026, atingindo US$ 254 bilhões. O lucro líquido é esperado em US$ 80,6 bilhões, avanço de 33%.
No entanto, as projeções apontam para uma desaceleração em 2027. A receita deve crescer 20%, enquanto o avanço do lucro é esperado em apenas 9%. Essa redução no ritmo aumenta a importância de novos produtos e serviços capazes de sustentar o crescimento futuro.
Avaliação voltou a subir, mas permanece próxima da média recente
A Meta negocia atualmente a cerca de 21 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, segundo dados compilados pela Bloomberg. Esse múltiplo representa uma alta significativa em relação ao nível inferior a 14 vezes registrado em junho.
Mesmo assim, a avaliação atual está aproximadamente em linha com a média em que as ações foram negociadas nos últimos três anos. Também permanece ligeiramente abaixo do Nasdaq 100, que negocia perto de 22 vezes o lucro esperado.
Biederman considera essa combinação atraente. Segundo ele, a Meta oferece um múltiplo inferior ao mercado junto com crescimento superior ao mercado. Ele também destacou a escala e a capacidade de distribuição da empresa como vantagens que podem ser difíceis de superar por concorrentes.
Wall Street continua amplamente positiva
Mais de 90% dos analistas acompanhados pela Bloomberg classificam as ações da Meta como compra. Esse nível mostra que o consenso em Wall Street permanece amplamente favorável à empresa.
Por outro lado, as ações já estão sendo negociadas próximas do preço-alvo médio dos analistas. Isso sugere que parte significativa do potencial esperado para os próximos 12 meses pode já estar refletida na cotação atual.
Sentimento sobre IA pode mudar a cada novo lançamento
Brandon Pizzurro, diretor de investimentos da GuideStone Funds, que ajuda a supervisionar US$ 29 bilhões em ativos, alertou que a percepção sobre os grandes participantes do setor parece mudar com frequência à medida que novos modelos de IA são lançados.
Segundo ele, um produto como o Muse pode gerar uma forte reação positiva no mercado, funcionando como um novo catalisador. Ao mesmo tempo, o nível necessário para continuar impressionando investidores está aumentando, assim como a cautela sobre a capacidade das empresas de entregar os resultados esperados.
Meta se aproxima de um marco de US$ 2 trilhões
Com alta de 36% em setembro, a Meta está perto de entrar no grupo de empresas avaliadas em pelo menos US$ 2 trilhões. O avanço representa uma recuperação marcante para uma ação que, poucas semanas antes, figurava entre as piores do S&P 500 no ano.
O acordo de até US$ 18 bilhões relacionado ao processo de redes sociais removeu uma preocupação importante, enquanto o Muse trouxe um novo foco para a estratégia de inteligência artificial da empresa. Parcerias com Maplebear e Expedia, novos dispositivos e produtos apresentados recentemente também ampliaram o entusiasmo em torno dessa direção.
Ainda assim, o desafio permanece significativo. A Meta precisa justificar gastos de capital que devem chegar perto de US$ 140 bilhões neste ano e crescer ainda mais em 2027 e 2028. Ao mesmo tempo, o fluxo de caixa livre deve ficar negativo e o crescimento de receita e lucro deve desacelerar no próximo ano.
O mercado valoriza a possibilidade de que a inteligência artificial se torne uma fonte relevante de crescimento. A recuperação das ações mostra uma mudança rápida de percepção, mas os próximos resultados precisarão indicar se o entusiasmo com Muse pode gerar retornos suficientes para sustentar investimentos maiores.