Wall Street fecha em queda com menor otimismo sobre acordo entre Estados Unidos e Irã
Wall Street encerrou a terça-feira em baixa, pressionada pela queda de grandes empresas de tecnologia e pela piora do sentimento em relação a um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
O S&P 500 recuou 0,32%, para 7.728,20 pontos.
O Nasdaq caiu 0,60%, para 26.445,45 pontos.
O Dow Jones Industrial Average perdeu 0,34%, encerrando em 53.791,85 pontos.
A sessão foi marcada pelo aumento das preocupações em torno do Estreito de Hormuz e pela possibilidade de preços de energia permanecerem elevados.
Estreito de Hormuz continua no centro das atenções
O recém-nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o Estreito de Hormuz continuará fechado enquanto os Estados Unidos não mudarem seu comportamento e aceitarem as condições iranianas para encerrar a guerra.
A declaração reduziu as expectativas de uma solução rápida.
O estreito continua sendo um dos principais elementos de risco geopolítico para o mercado devido à sua importância para o transporte global de energia.
Os futuros do Brent permaneceram próximos das máximas de uma semana em um pregão volátil.
Energia sobe mesmo com queda dos índices
Enquanto os principais índices recuaram, o setor de energia do S&P 500 avançou 1,1%.
A valorização do petróleo deu suporte às ações do segmento.
Ross Mayfield, analista de estratégia de investimentos da Baird, afirmou que os preços estão incorporando maior incerteza em torno do conflito.
Segundo ele, alcançar um acordo continua difícil diante dos interesses divergentes das partes envolvidas.
Ainda assim, Mayfield observou que a guerra não se tornou o grande obstáculo para o mercado que muitos haviam previsto.
Amazon e Alphabet pressionam o mercado
Algumas das maiores empresas de tecnologia recuaram.
A Amazon caiu 2,1%.
A Alphabet perdeu 3,8%.
As duas companhias exerceram forte pressão sobre o S&P 500 e o Nasdaq devido ao seu elevado peso nos índices.
A SpaceX também caiu quase 4%.
Essas perdas limitaram a capacidade do mercado de compensar os ganhos observados em outras áreas.
Apollo e Blackstone registram fortes altas
Em sentido contrário, gestores de ativos alternativos tiveram desempenho positivo.
A Apollo Global subiu 6,2%.
A Blackstone avançou quase 4%.
As duas empresas estão entre as instituições financeiras que recentemente se associaram à Nvidia em plataformas de financiamento de capacidade computacional.
A iniciativa busca mobilizar mais de US$ 500 bilhões para infraestrutura de inteligência artificial.
Investimentos em IA ainda apoiam sentimento de longo prazo
Mesmo com a queda de terça-feira, a inteligência artificial continua sendo uma fonte importante de otimismo no mercado.
Sinais de que os elevados investimentos de Microsoft e Amazon em data centers de IA estão começando a trazer resultados ajudaram a melhorar a percepção dos investidores.
Resultados trimestrais sólidos também contribuíram para levar o S&P 500 a máximas históricas na semana anterior.
O Nasdaq permanecia cerca de 2% abaixo do recorde de fechamento registrado em 2 de junho.
Queda dos índices não foi generalizada
Apesar da baixa do S&P 500, o número de ações em alta superou o de ações em queda.
A proporção foi de aproximadamente 1,2 para 1.
O índice também registrou 22 novas máximas e apenas uma nova mínima.
No Nasdaq, houve 108 novas máximas e 75 novas mínimas.
Esses números mostram que parte significativa da fraqueza dos índices ficou concentrada em grandes empresas de elevado peso.
Inflação será o próximo grande teste
O foco agora passa para os dados de inflação ao consumidor e ao produtor, que serão divulgados nos próximos dois dias.
Esses números devem ter forte influência sobre as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, tem como objetivo reduzir a orientação futura oferecida pelo banco central.
Nesse ambiente, novos indicadores econômicos podem ganhar ainda mais importância para os investidores.
Mercado segue dividido sobre alta de juros em setembro
Segundo o CME FedWatch, os traders continuam divididos sobre a possibilidade de o Fed elevar os juros em setembro.
Os preços mais altos da energia tornam essa decisão ainda mais complexa.
O conflito com o Irã elevou os custos energéticos e alimentou preocupações inflacionárias.
Se a inflação permanecer elevada, o Fed poderá ter menos espaço para adotar uma postura mais branda.
Energia mais cara complica política monetária global
O problema não está limitado aos Estados Unidos.
A alta dos preços da energia também pode dificultar as decisões de outros bancos centrais.
Custos energéticos maiores podem atrasar a desaceleração da inflação.
Isso força autoridades monetárias a equilibrar crescimento econômico e controle de preços.
Por isso, investidores acompanham não apenas o conflito, mas também seus efeitos sobre os dados macroeconômicos.
Jabil sobe após upgrade da UBS
Entre as ações individuais, a Jabil avançou 5,9%.
A UBS elevou sua recomendação para o papel de “neutral” para “buy”.
A mudança ajudou a ação a subir mesmo em um dia mais fraco para o mercado.
A fonte não apresenta detalhes adicionais sobre os motivos específicos do upgrade.
On despenca após resultado decepcionante
As ações da marca de roupas esportivas On listadas nos Estados Unidos caíram 20,3%.
A empresa não alcançou as estimativas de vendas para o trimestre.
A reação mostra como investidores continuam sensíveis a resultados abaixo das expectativas.
Com os índices próximos de níveis elevados, empresas que decepcionam podem sofrer movimentos mais intensos.
Venture Global cai após receita abaixo do esperado
A Venture Global recuou 7,3%.
A empresa de gás natural liquefeito divulgou receita do segundo trimestre ligeiramente inferior às estimativas.
A queda ocorreu mesmo com o setor de energia em alta.
Isso mostra que fatores específicos de cada empresa continuam relevantes apesar das tendências mais amplas do setor.
Volume de negociação fica abaixo da média
Cerca de 15 bilhões de ações foram negociadas nas bolsas americanas.
O volume ficou abaixo da média de 17,6 bilhões registrada nas 20 sessões anteriores.
A participação relativamente reduzida indica um pregão mais leve.
Em alguns casos, volumes menores podem aumentar o impacto dos movimentos de grandes empresas sobre os índices.
Próximos dias serão dominados pela inflação
Os números de inflação ao consumidor e ao produtor devem determinar o tom dos próximos pregões.
Um resultado acima do esperado pode fortalecer as apostas em alta dos juros.
Uma leitura mais fraca poderia beneficiar ativos de risco.
O mercado também continuará acompanhando os preços do petróleo e qualquer mudança nas negociações entre Washington e Teerã.
Conclusão
Wall Street fechou em queda na terça-feira com a diminuição do otimismo sobre um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
O S&P 500 caiu 0,32%, o Nasdaq recuou 0,60% e o Dow Jones perdeu 0,34%.
Amazon e Alphabet pressionaram os índices, enquanto o setor de energia avançou com a valorização do petróleo.
Agora, a atenção se volta para os dados de inflação que poderão alterar as expectativas para a reunião do Federal Reserve em setembro.
Ponto-chave final
A queda de Wall Street reflete uma combinação de tensão geopolítica, fraqueza em grandes empresas de tecnologia e incerteza sobre os juros. Enquanto o Estreito de Hormuz permanecer fechado e a energia cara continuar alimentando riscos inflacionários, os mercados deverão equilibrar resultados corporativos sólidos com a possibilidade de uma política monetária mais restritiva.