S&P 500 fecha em recorde após relatório fraco de empregos reduzir temor de alta dos juros
As ações americanas avançaram na sexta-feira, com o S&P 500 encerrando em nível recorde após um relatório de emprego muito mais fraco do que o esperado reduzir as expectativas de uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro.
A economia dos Estados Unidos perdeu 23 mil empregos fora do setor agrícola em julho, enquanto economistas consultados esperavam a criação de 80 mil vagas.
Os números dos dois meses anteriores também foram revisados fortemente para baixo.
Apesar da fraqueza da geração de empregos, a taxa de desemprego caiu para 4,1%, contra 4,2% em junho, principalmente porque trabalhadores deixaram a força de trabalho.
Probabilidade de alta dos juros cai
Depois da divulgação, a expectativa de uma alta dos juros na próxima reunião do Fed caiu para aproximadamente 44%, segundo o CME FedWatch.
Na sessão anterior, essa probabilidade era de 55%.
Uma semana antes, estava em 67%.
A mudança é relevante.
Um mercado de trabalho mais fraco pode reduzir pressões salariais e de demanda, diminuindo em teoria a necessidade de manter a política monetária ainda mais restritiva.
A situação continua complexa porque a inflação permanece outro elemento central da decisão do Fed.
Emprego surpreende de forma negativa
A perda de 23 mil vagas ficou muito abaixo da expectativa de criação de 80 mil postos.
A diferença sugere uma desaceleração mais forte do mercado de trabalho do que muitos investidores previam.
As revisões dos meses anteriores reforçaram essa percepção.
Quando dados passados também são reduzidos, aumenta a possibilidade de que a fraqueza represente uma tendência mais ampla e não apenas um mês isolado.
Isso torna as próximas divulgações econômicas ainda mais importantes.
Queda do desemprego não significa necessariamente melhora
A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%.
Isoladamente, o movimento poderia parecer positivo.
A queda, porém, ocorreu porque trabalhadores saíram da força de trabalho.
Portanto, parte da melhora não veio de uma maior criação de empregos.
Essa diferença é importante para avaliar a saúde real do mercado de trabalho.
Uma economia pode apresentar desemprego menor mesmo com piora das condições de emprego quando menos pessoas buscam trabalho.
Avanços sobre o Irã aliviam preocupações com inflação
Sinais de progresso em direção a um possível acordo de paz na guerra com o Irã também ajudaram as ações.
A redução das tensões contribuiu para a queda dos preços do petróleo.
Energia mais barata pode diminuir as pressões inflacionárias e reduzir a necessidade de novos aumentos dos juros.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro também recuaram.
A combinação de petróleo mais baixo e juros de mercado menores tende a favorecer principalmente ações de tecnologia e crescimento.
Fed oferece pouca orientação sob Kevin Warsh
Sob a presidência de Kevin Warsh, o Federal Reserve tem fornecido pouca orientação futura aos investidores.
Essa postura aumenta a importância de cada indicador econômico e das declarações de autoridades monetárias.
Sem uma trajetória claramente sinalizada, as expectativas sobre juros podem mudar rapidamente.
O relatório de emprego de julho, portanto, teve influência especialmente forte.
Os investidores agora consideram um cenário em que o Fed possui menos espaço para elevar os juros.
Fed enfrenta um dilema econômico
Tom Siomades, economista-chefe de mercado da AE Wealth Management, destacou a dificuldade enfrentada pelo banco central.
Reduzir os juros poderia estimular o emprego, mas também poderia alimentar a inflação.
Aumentá-los poderia ajudar a conter os preços, mas aprofundar a desaceleração econômica.
O Fed precisa equilibrar esses dois riscos.
Por isso, a reação otimista de Wall Street chama atenção, já que números fracos de emprego também podem sinalizar crescimento econômico mais lento.
Lucros corporativos sustentam Wall Street
Os resultados das empresas representam outro suporte importante para o mercado.
Das 436 companhias do S&P 500 que haviam divulgado números até a manhã de sexta-feira, 85,1% superaram as expectativas dos analistas, segundo a LSEG.
O percentual está muito acima da média histórica de 68% observada desde 1994.
A força dos lucros ajuda os investidores a olhar além das preocupações com emprego e política monetária.
Também oferece suporte às avaliações elevadas de várias empresas.
Resultados aliviam preocupação com gastos em IA
A temporada de balanços também reduziu parte dos temores sobre os grandes investimentos das empresas ligadas à inteligência artificial.
Investidores haviam começado a questionar se os altos gastos em IA poderiam prejudicar margens.
Resultados recentes, porém, mostraram que muitas empresas continuam superando previsões.
Essa capacidade de gerar lucros apesar dos investimentos elevados reforçou a confiança.
O movimento ajudou os principais índices a registrar seus maiores ganhos semanais desde meados de abril.
S&P 500 encerra em novo recorde
O Dow Jones Industrial Average avançou 151,83 pontos, ou 0,28%, para 54.036,93 pontos.
O S&P 500 subiu 47,68 pontos, ou 0,62%, para 7.757,64 pontos.
O Nasdaq Composite ganhou 342,26 pontos, ou 1,30%, encerrando em 26.690,62 pontos.
O desempenho superior do Nasdaq mostra forte procura por tecnologia.
O recorde do S&P 500 confirma que os investidores continuam comprando ações apesar dos sinais de desaceleração econômica.
Índices registram melhor semana desde abril
Na semana, o S&P 500 avançou 3,58%.
O Nasdaq subiu 5,19%.
O Dow ganhou 2,96%.
Essas foram as maiores altas semanais percentuais desde meados de abril.
O resultado mostra que o movimento não dependeu apenas do relatório de emprego de sexta-feira.
Lucros corporativos, menor pressão inflacionária e mudanças nas expectativas de juros também contribuíram.
SpaceX avança 15,8%
As ações da SpaceX dispararam 15,8% um dia após o fim da primeira de várias restrições de venda relacionadas ao IPO recorde realizado em junho.
A alta mostra que os investidores absorveram o potencial aumento da oferta de ações disponíveis.
O papel havia enfrentado uma fase mais fraca desde a abertura de capital.
A forte recuperação reforçou o ambiente positivo para ativos de risco.
Atlassian registra maior alta de sua história
A Atlassian subiu 35,3%, seu maior ganho diário percentual já registrado.
A empresa de software colaborativo superou expectativas de lucro e receita e apresentou uma previsão trimestral acima das estimativas.
A reação mostra quanto o mercado está recompensando empresas de tecnologia que entregam resultados acima do esperado.
A demanda por serviços em nuvem continua sendo um importante suporte para o setor.
Microchip Technology também dispara
A Microchip Technology avançou 13,9%, sua melhor sessão em mais de quinze meses.
A fabricante de chips também projetou receita trimestral acima das expectativas.
O movimento reforça que investidores continuam interessados em empresas de tecnologia com perspectivas fundamentais positivas.
Também mostra que a alta está se espalhando para além das maiores companhias do mercado.
Airbnb lidera o S&P 500
A Airbnb avançou 17,4%, tornando-se a melhor ação do S&P 500 na sessão.
A plataforma de hospedagem superou as estimativas de receita do segundo trimestre.
A reação destaca a confiança do mercado na demanda global por viagens.
Também mostra que investidores continuam premiando empresas que combinam crescimento com melhora das perspectivas.
Trade Desk despenca após previsão fraca
Nem todas as empresas participaram da alta.
A Trade Desk caiu 21,9%, registrando o pior desempenho do S&P 500.
A empresa de tecnologia para publicidade projetou receita do terceiro trimestre abaixo das expectativas.
A queda mostra que o mercado continua muito sensível às previsões futuras.
Mesmo em uma sessão forte, companhias que decepcionam podem sofrer perdas expressivas.
Alta tem participação ampla
Na Bolsa de Nova York, as ações em alta superaram as quedas em uma proporção de 2,49 para 1.
No Nasdaq, a relação foi de 2,07 para 1.
Essa participação ampla é um sinal importante.
Um movimento sustentado por várias empresas costuma ser considerado mais saudável do que uma alta concentrada em poucos nomes.
O S&P 500 registrou nove novas máximas de 52 semanas e apenas uma nova mínima.
O Nasdaq teve 123 novas máximas e 77 novas mínimas.
Volume fica um pouco abaixo da média
O volume negociado nas bolsas americanas chegou a 16,94 bilhões de ações.
A média das últimas 20 sessões completas foi de 17,56 bilhões.
O giro não foi extraordinário apesar da forte alta.
Isso indica que o avanço ocorreu em um ambiente de atividade relativamente normal.
As próximas sessões mostrarão se novos compradores continuarão entrando com os índices em níveis recordes.
O que o mercado deve acompanhar
O primeiro fator serão os próximos dados de inflação.
Se os preços continuarem elevados enquanto o emprego enfraquece, o Fed enfrentará uma decisão ainda mais difícil.
Investidores também acompanharão novas informações sobre atividade econômica e mercado de trabalho.
A trajetória do petróleo continuará importante, especialmente diante das negociações ligadas ao Irã.
Por fim, os últimos balanços da temporada mostrarão se o elevado percentual de empresas superando expectativas pode continuar.
Conclusão
O S&P 500 atingiu um novo recorde após um relatório de emprego dos Estados Unidos muito mais fraco do que o esperado.
A economia perdeu 23 mil vagas em julho, contra previsão de criação de 80 mil, reduzindo as expectativas de uma alta dos juros em setembro.
Na sexta-feira, o S&P 500 avançou 0,62%, o Nasdaq subiu 1,30% e o Dow ganhou 0,28%.
Os lucros corporativos também sustentaram o mercado, ajudando os três grandes índices a registrar a melhor semana desde abril.
Ponto-chave final
Por enquanto, Wall Street interpreta a fraqueza do emprego principalmente como um argumento contra novos aumentos dos juros, e não como um sinal de recessão iminente. Essa leitura sustenta as ações, mas pode mudar rapidamente se a inflação continuar alta ou se os próximos dados mostrarem uma desaceleração econômica mais profunda.