Milho e soja avançam no CBOT com foco na onda de calor nos Estados Unidos
Os contratos futuros de milho e soja fecharam em alta na quinta-feira na Chicago Board of Trade, enquanto traders passaram a focar nas previsões de uma onda de calor e de um sistema de alta pressão que deve atingir a Corn Belt americana durante o fim de semana. O movimento também foi apoiado pela alta do óleo de soja, por uma leve queda do dólar americano e pela recuperação do petróleo.
O contrato mais ativo de milho no CBOT subiu 7-3/4 centavos, encerrando a US$ 4,14-3/4 por bushel, depois que os cinco primeiros vencimentos marcaram novas mínimas mais cedo na sessão. A soja avançou 22 centavos, fechando a US$ 11,57 por bushel. O trigo também terminou em alta, ganhando 5-1/2 centavos, para US$ 6,01-1/2 por bushel.
A alta do milho encerrou uma sequência de quatro sessões de queda. Os contratos vinham sendo pressionados pela liquidação de posições por fundos, queda dos preços de energia e valorização do dólar. Mas o tom do mercado mudou na quinta-feira, com investidores voltando a embutir um prêmio climático nos preços.
Clima volta a ser o principal catalisador
O fator central da sessão foi o clima. Segundo previsões do National Weather Service, as temperaturas podem chegar a 100 graus Fahrenheit durante o fim de semana, alcançando o alto Meio-Oeste e chegando até as Carolinas. Temperaturas acima do normal são esperadas das Planícies até a Costa Atlântica até 4 de julho.
Para os mercados agrícolas, uma onda de calor nesta fase da temporada pode mudar rapidamente o sentimento. Mesmo que as condições das lavouras ainda sejam em geral favoráveis, traders sabem que alguns dias de calor extremo podem aumentar riscos para os rendimentos, especialmente se as culturas ainda estiverem vulneráveis.
Don Roose, presidente da U.S. Commodities, resumiu a situação ao dizer que o catalisador do mercado é o clima. A frase reflete a mudança de prioridade dos traders: após várias sessões dominadas por fluxos de fundos, dólar e energia, a atenção volta para as condições das lavouras.
Milho reage após quatro sessões de baixa
O milho se beneficiou de uma reversão técnica importante. Os primeiros contratos atingiram novas mínimas no início da sessão, mas depois inverteram a direção e fecharam em alta.
Esse tipo de movimento costuma chamar atenção de traders técnicos. Quando um mercado marca novas mínimas e depois termina em alta, pode sinalizar que os vendedores estão perdendo força ou que compradores começaram a defender certos níveis.
A alta, porém, continua ligada a um contexto específico. O milho vinha sofrendo pressão relevante por causa da liquidação de fundos, queda do petróleo e valorização do dólar. Esses três fatores haviam incentivado investidores a reduzir exposição.
Na quinta-feira, a combinação de clima mais ameaçador, dólar mais fraco e recuperação do petróleo permitiu ao mercado recuperar parte do terreno perdido.
Soja é apoiada pelo clima e pelo óleo de soja
Os contratos de soja subiram com força, sustentados pelas preocupações climáticas e pela alta do mercado de óleo de soja. O contrato mais ativo ganhou 22 centavos, fechando a US$ 11,57 por bushel.
A soja é sensível às condições climáticas durante a temporada de crescimento, especialmente quando temperaturas elevadas se combinam com solos muito úmidos ou muito secos, dependendo da região. Traders monitoram, portanto, não apenas o calor previsto, mas também riscos ligados ao excesso de umidade em algumas áreas.
A alta do óleo de soja adicionou suporte. O óleo de soja tem papel importante na estrutura de valorização do complexo soja, especialmente por causa da demanda alimentar, industrial e ligada aos biocombustíveis. Quando o óleo de soja sobe, pode apoiar os contratos de soja em grão.
O rebote da soja mostra que o mercado continua muito sensível a mudanças de sentimento, especialmente após uma fase de liquidação agressiva por fundos.
Trigo encontra suporte nos riscos de colheita
O trigo também fechou em alta, sustentado por preocupações sobre danos causados por calor na Europa Ocidental e incertezas ligadas às colheitas no Hemisfério Norte.
O contrato de trigo no CBOT ganhou 5-1/2 centavos, encerrando a US$ 6,01-1/2 por bushel. A alta foi mais moderada do que a do milho e da soja, mas mostra que o mercado de trigo continua sensível aos riscos de produção global.
Nesta época do ano, as colheitas no Hemisfério Norte se tornam um fator decisivo. Problemas climáticos na Europa, no Mar Negro, na América do Norte ou em outras regiões produtoras podem alterar as expectativas de oferta exportável.
O calor na Europa Ocidental pode afetar algumas lavouras dependendo do estágio de desenvolvimento e da duração do episódio. O mercado, portanto, acompanha o clima internacional, não apenas as condições americanas.
Condições das lavouras americanas continuam sólidas
O último relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre condições das lavouras mostrou que dois terços da safra americana de milho e soja estavam em condição boa a excelente. Isso reflete condições de crescimento em geral favoráveis no Meio-Oeste.
Em situação normal, um dado desse tipo poderia limitar altas de preços. Mas o mercado antecipa riscos, e traders agora se concentram no que pode acontecer nos próximos dias e semanas.
Boas condições atuais não garantem que os rendimentos continuarão elevados se uma onda de calor prolongada se instalar. O mercado agrícola muitas vezes reage mais à evolução do risco do que apenas ao estado presente.
Por isso, os contratos conseguiram reagir apesar de um relatório de condições ainda favorável. Investidores adicionam um prêmio de risco para levar em conta possível mudança climática.
Raízes rasas aumentam vulnerabilidade
Um dos riscos citados por Don Roose envolve a profundidade das raízes. Em algumas partes do alto Meio-Oeste e das Planícies, as raízes do milho e da soja ainda podem estar pouco desenvolvidas. Isso torna as plantas mais vulneráveis a grandes variações de temperatura.
Quando as raízes são rasas, as culturas têm menos capacidade de buscar umidade em profundidade. Calor intenso pode, portanto, provocar estresse mais rápido, especialmente se as noites permanecerem quentes e as plantas não tiverem um período de recuperação.
O calor noturno é particularmente importante. As plantas precisam de noites mais frescas para reduzir o estresse fisiológico. Se as temperaturas continuarem elevadas durante o dia e a noite, as lavouras podem se desgastar mais rapidamente.
O mercado monitora, portanto, não apenas as temperaturas máximas, mas também a duração do episódio e as temperaturas durante a noite.
Sistemas de alta pressão preocupam traders
A duração da onda de calor é um ponto central. Segundo Don Roose, parte do mercado acredita que o calor esperado desaparecerá rapidamente. Mas ele alertou que sistemas de alta pressão às vezes podem permanecer no local ou sair e voltar.
Sistemas de alta pressão são importantes na agricultura porque podem bloquear chuvas, reforçar o calor e manter condições difíceis por vários dias. Se persistirem, podem transformar uma simples preocupação climática em uma ameaça real aos rendimentos.
A preocupação, portanto, não é apenas o pico de calor do fim de semana. É a possibilidade de o padrão climático continuar desfavorável por mais tempo do que o previsto.
Se as previsões confirmarem calor persistente, os contratos de milho e soja podem manter suporte. Se os mapas climáticos mostrarem retorno rápido a condições mais normais, parte do prêmio climático pode desaparecer.
Excesso de umidade vira outro risco
O calor não é o único problema. Chuvas fortes recentes reduziram algumas áreas de seca no baixo Meio-Oeste, mas grande parte de Iowa, do centro de Illinois e de Indiana apresenta condições bastante úmidas, segundo o National Weather Service e o USDA.
Meteorologistas preveem até 4 polegadas de chuva adicionais nas Planícies centrais e no Vale do Ohio na próxima semana. Umidade excessiva também pode prejudicar as lavouras.
Solos encharcados podem sufocar raízes, reduzir a absorção de nutrientes e favorecer o desenvolvimento de doenças fúngicas. Para milho e soja, o equilíbrio entre calor, umidade e drenagem é crucial.
Em algumas regiões, a ameaça não é apenas falta de água. É a instabilidade climática: calor intenso, chuvas excessivas, mudanças bruscas e condições favoráveis a doenças.
Sul e Sudeste enfrentam condições voláteis
Em partes do Sul e do Sudeste, que representam áreas mais marginais para a produção nacional de milho e soja, as condições climáticas passaram rapidamente de seca severa para inundações.
Mesmo que essas regiões não dominem a produção americana, elas podem aumentar a nervosidade do mercado quando mostram forte volatilidade climática. Traders geralmente preferem condições estáveis e previsíveis durante a temporada de crescimento.
Mudanças extremas complicam as decisões dos produtores e as estimativas de rendimento. Uma região pode se beneficiar do fim da seca, mas depois sofrer danos ligados ao excesso de água.
Esse tipo de ambiente torna as previsões agrícolas mais incertas, o que às vezes sustenta os preços no curto prazo.
Dólar mais fraco ajuda os grãos
A queda do dólar americano também deu suporte aos contratos agrícolas. Um dólar mais fraco pode tornar as exportações americanas mais competitivas para compradores estrangeiros, já que produtos cotados em dólar ficam relativamente mais baratos.
Nos mercados de milho, soja e trigo, a competitividade nas exportações é essencial. Os Estados Unidos competem com outros grandes produtores, incluindo Brasil, Argentina, Rússia, Ucrânia, União Europeia e Austrália, dependendo do produto.
Quando o dólar sobe muito, os grãos americanos podem perder atratividade. Quando o dólar cai, o mercado pode incorporar suporte potencial à demanda.
O recuo do dólar não foi o principal motor da sessão, mas reforçou a mudança de sentimento já provocada pelo clima.
Traders aguardam dados do USDA em 30 de junho
Investidores agora aguardam os dados do USDA sobre plantio e estoques, previstos para 30 de junho. Esse relatório é um dos mais acompanhados do ano, pois oferece leitura mais precisa das áreas plantadas e dos estoques ainda disponíveis.
Os dados de estoques permitirão avaliar a quantidade de grãos ainda mantida pelos agricultores em suas propriedades. Os números de plantio ajudarão a confirmar se as áreas correspondem às expectativas do mercado.
Uma diferença relevante entre os números publicados e as expectativas pode provocar forte reação nos preços. Se as áreas forem menores que o esperado ou se os estoques estiverem mais apertados, o mercado pode prolongar a alta. Se os números forem mais confortáveis, parte do prêmio climático pode ser neutralizada.
Até a publicação, traders provavelmente continuarão cautelosos e muito sensíveis às novas previsões climáticas.
O que os mercados devem acompanhar
O primeiro fator a acompanhar é a duração da onda de calor. Um episódio curto pode limitar o impacto sobre as lavouras, enquanto um sistema de alta pressão persistente aumentaria o risco para os rendimentos.
O segundo elemento é a evolução das temperaturas noturnas. Noites quentes podem impedir a recuperação das plantas e ampliar o estresse.
O terceiro ponto envolve as chuvas previstas. Excesso de umidade nas Planícies centrais e no Vale do Ohio pode se tornar negativo para as culturas se os solos permanecerem saturados.
O quarto fator é o relatório do USDA de 30 de junho. Os números de plantio e estoques podem alterar fortemente as expectativas de oferta.
Por fim, traders devem acompanhar dólar, óleo de soja e preços de energia. Esses mercados podem reforçar ou enfraquecer os movimentos provocados pelo clima.
Conclusão
Os contratos futuros de milho, soja e trigo fecharam em alta no CBOT, apoiados pelas previsões de calor na Corn Belt americana, pela queda do dólar, pela alta do óleo de soja e pelos riscos de colheita no Hemisfério Norte. O milho subiu 7-3/4 centavos, para US$ 4,14-3/4 por bushel, a soja avançou 22 centavos, para US$ 11,57, e o trigo ganhou 5-1/2 centavos, para US$ 6,01-1/2.
Embora as condições das lavouras americanas continuem em geral favoráveis, traders agora se concentram nos riscos à frente: calor extremo, raízes ainda rasas em algumas regiões, excesso de umidade e incerteza antes dos dados do USDA em 30 de junho.
Ponto final
O clima voltou a ser o principal motor dos mercados agrícolas. Se a onda de calor for curta, o rebote do milho e da soja pode permanecer limitado. Mas, se o sistema de alta pressão persistir ou se o excesso de chuva prejudicar as lavouras, traders poderão continuar adicionando prêmio de risco aos contratos do CBOT.